Nesta segunda parte, vou continuar a descrição sobre a tabela
e idades e ciclos, oscilando entre uma análise do autor e minhas breves e
pontuais considerações a respeito da tabela geral de ciclos de Ruperti (1978).
Gostaria lembrar que no livro mencionado na primeira parte deste texto, cujo
título para quem não leu minha postagem anterior é “Ciclos de evolução, modelos
planetário de desenvolvimento”, o autor detalha todos os ciclos, desde aqueles que
ocorrem com os planetas pessoais, Vênus-Marte, Sol –Vênus , Sol, Marte, o ciclo
de Mercúrio, até os ciclos de Júpiter, Saturno, Urano,
Netuno e Plutão.
Para o leigo, na linguagem astrológica, ou estudante iniciante
e para os mais velhos nunca esquecerem, que fique claro como o trabalho do astrólogo é minucioso e envolve várias habilidades, como capacidade de ouvir, de
sintetizar, de interpretar hermeneuticamente, ou seja, sem a rigidez do pensamento
ocidental e seu cartesianismo. O Astrólogo ainda precisa ter a habilidade da fluidez, de saber se sensibilizar no sentindo da "simpatia" (diferindo de empatia), como diz Von Franz, que é o caminhar ao lado do sofrimento do outro ser simpático é caminhar junto nas alegrias, tristezas e sofrimentos, vitórias e derrotas..
Poderia citar tantas habilidades que vejo nos astrólogos temos, ainda como exemplo a capacidade de memorizar, pensar rápido, procurando
compreender como os trânsitos que esse indivíduo vive, seu grau de consciência,
nível cultural.
Se tivéssemos tempo de analisar o mapa de uma pessoa, o seu passado, vamos exemplificar aqui uma pessoa de de 56 anos há 20 anos atrás , mesmo
assim teríamos um rastro, um caminho de possibilidades, entretanto o
significado é de fato este, conhecer os ciclos de forma a descrever uma estrutura genérica e não individual. Esta não a pedra fundamental. Num trabalho
astrológico de inspiração analítica (junguiana),precisamos contextualizar a descrição
do fenômeno empírico dos fatos, considerar os planetas como impulsos de forças primordiais
e relacionar ao material empírico que nos apresenta enquanto terapeutas. Aí
procuramos a fase, a idade, o ciclo, em que os momentos de crise mais
bloqueados aconteceram. Se o sujeito permitir, pode-se gerar uma síntese, pois
trabalhamos os paradoxos, acreditando na capacidade d psique encontrar um
símbolo para solucionar aquele conflito.
Sem a interação dialética com o sujeito à sua frente, além de
outros aspectos como escolhe deste sujeito e a vontade do que o Self, vou “Deus”
quis para ela, não há transformação. Portanto, mesmo que os colegas que
discordam de uma Astrologia Psicológica, para mim, todo astrólogo profissionalmente
excelente, independente da abordagem é possivelmente é bom terapeuta. Lida-se
com o inconsciente do outro nos momentos da consultas e com as expectativas
irreais em relação a Astrologia, que dependendo da vida e da cultura encontra-se
mais ou menos arraigada.
Sem mais delongas, retorno aos ciclos de Rupertir, agora gostaria de fazer considerações
de outros períodos , sem dar conta do todo do livro. Gostaria de me concentrar
na fase dos 28 para 35 anos talvez por ser
minha idade o limite deste período. De acordo com Rupertir, aqui ocorre
a liberação do potencial criativo da personalidade. Considero que ele quis
dizer, do que foge o padrão, partir
deste momento, a vida pode ter um
significado original e pessoal. Realizar plenamente os potenciais do mapa e
lidar com os desafios é colocar nossos titãs internos para brigar e nossos anos
para nos guiar, lidar com nossos demônios pessoais, enfrentar o que realmente
somos. Muito similar ao que Jung denominou de processo de individuação.
Dos 28 aos 35 anos,
ocorre a divisão trinária do ciclo de urano, , o vigésimo oitavo ano marcando então um trígono
de Urano formado com sua oposição
natal, e as posições dos nodos lunares
são invertidas. Este trígono do Urano,
interpretando aqui trígono como símbolo
do que se define como oportunidade de
obtenção de uma visão criativa ( Ruperti, 1978, p.57) pode fazer com que a pessoa
por fim entenda para quê , meu deus, que
ela está aqui? Segundo a visão humanística, afirma Ruperti, cada um de nós é em
potencial, um elemento completamente novo, que pode ser aduzido à raça
humana.
Este processo seria uma espécie
de segundo nascimento da personalidade, uma fase muito singular, a resposta a pergunta:
que propósito ou necessidade humana eu sou capaz de realizar e me lançar de
forma consciente neste objetivo?
Edvard Munch, "O Grito"
Depois deste ciclo vem o que o autor chama “ Hemicídio
Minguante’, DOS 35 AOS 42 ANOS, para Rudhay seria simplesmente uma fase do
indivíduo continuar a sua busca de seu lugar ao mundo, dotado de livre arbítrio
e autosuficiente. Nesta fase, se o indivíduo não buscou se transformar, ele
sente que sua vida está andando para trás, aparenta que está revivendo oportunidades
pessoais passadas. Aqui, os velhos bodes expiatórios não servem mais, segundo
Ruperti, 1988, a pessoa busca outros bodes expiatórios para projetar, quando se
mantem no mecanismo de defesa.
Para concluir este
texto, dividido em duas partes, peço humildemente uma reflexão do leitor. Desta
forma, aproveitando a “vibe” de Júpiter, o planeta da fé, da expansão o qual
por oposição, nos mostra os limites, está no signo de Virgem cuja algumas características
são detalhe, semente, terra, simplicidade, humildade, esta qualidade,
principalmente). Uma pergunta que parece simples, ou humilde e vem do mundo, pode
promover expansão (Júpiter, o impulso de crescimento e iluminação da psique) .
Então lhe pergunto, você já saiu do útero materno e assumiu responsabilidade
por sua vida?

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