segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Estrutura genérica da vida, ou ciclos da vida-Parte II

     Nesta segunda parte, vou continuar a descrição sobre a tabela e idades e ciclos, oscilando entre uma análise do autor e minhas breves e pontuais considerações a respeito da tabela geral de ciclos de Ruperti (1978). Gostaria lembrar que no livro mencionado na primeira parte deste   texto, cujo título para quem não leu minha postagem anterior é “Ciclos de evolução, modelos planetário de desenvolvimento”, o autor detalha todos os ciclos, desde aqueles que ocorrem com os planetas pessoais, Vênus-Marte, Sol –Vênus , Sol, Marte, o ciclo de Mercúrio,  até  os ciclos de Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão.  

     Para o leigo, na  linguagem astrológica, ou estudante iniciante e para os mais velhos nunca esquecerem,  que fique claro como o trabalho do astrólogo é minucioso e envolve várias habilidades, como capacidade de ouvir, de sintetizar, de interpretar hermeneuticamente, ou seja, sem a rigidez do pensamento ocidental e seu cartesianismo. O Astrólogo ainda precisa ter a habilidade da  fluidez, de saber se sensibilizar no sentindo da "simpatia" (diferindo de empatia), como diz Von Franz, que é o caminhar ao lado do sofrimento do outro ser simpático é caminhar junto nas alegrias, tristezas e sofrimentos, vitórias e derrotas.. Poderia citar tantas habilidades que vejo nos astrólogos temos, ainda como exemplo a  capacidade de memorizar, pensar rápido, procurando compreender como os trânsitos que esse indivíduo vive, seu grau de consciência, nível cultural.

      Se tivéssemos tempo de analisar o mapa de uma pessoa, o seu  passado, vamos exemplificar aqui  uma pessoa de de 56 anos há 20 anos atrás , mesmo assim teríamos um rastro, um caminho de possibilidades, entretanto o significado é de fato este, conhecer os ciclos de forma a descrever uma  estrutura genérica e não individual.  Esta não a pedra fundamental. Num trabalho astrológico de inspiração analítica (junguiana),precisamos contextualizar a descrição do fenômeno empírico dos fatos, considerar os planetas como impulsos de forças primordiais e relacionar ao material empírico que nos apresenta enquanto terapeutas. Aí procuramos a fase, a idade, o ciclo, em que os momentos de crise mais bloqueados aconteceram. Se o sujeito permitir, pode-se gerar uma síntese, pois trabalhamos os paradoxos, acreditando na capacidade d psique encontrar um símbolo para solucionar aquele conflito.
     Sem a interação dialética com o sujeito à sua frente, além de outros aspectos como escolhe deste sujeito e a vontade do que o Self, vou “Deus” quis para ela, não há transformação. Portanto, mesmo que os colegas que discordam de uma Astrologia Psicológica, para mim, todo astrólogo profissionalmente excelente, independente da abordagem é possivelmente é bom terapeuta. Lida-se com o inconsciente do outro nos momentos da consultas e com as expectativas irreais em relação a      Astrologia, que dependendo da vida e da cultura encontra-se mais ou menos arraigada.

Sem mais delongas, retorno aos ciclos de  Rupertir, agora gostaria de fazer considerações de outros períodos , sem dar conta do todo do livro. Gostaria de me concentrar na fase dos 28 para 35 anos talvez por ser  minha idade o limite deste período. De acordo com Rupertir, aqui ocorre a liberação do potencial criativo da personalidade. Considero que ele quis dizer, do que foge o padrão,  partir deste momento,  a vida pode ter um significado  original e pessoal.  Realizar plenamente os potenciais do mapa e lidar com os desafios é colocar nossos titãs internos para brigar e nossos anos para nos guiar, lidar com nossos demônios pessoais, enfrentar o que realmente somos. Muito similar ao que Jung denominou de processo de individuação.

     Dos 28 aos 35 anos,  ocorre a divisão trinária do ciclo de urano, , o  vigésimo oitavo ano marcando então um trígono de Urano   formado com sua oposição natal,  e as posições dos nodos lunares são invertidas.  Este trígono do Urano, interpretando aqui trígono como  símbolo do que se define como  oportunidade de obtenção de uma visão criativa (  Ruperti, 1978, p.57) pode fazer com que a pessoa por fim entenda  para quê , meu deus, que ela está aqui? Segundo a visão humanística, afirma      Ruperti, cada um de nós é em potencial, um elemento completamente novo, que pode ser aduzido à raça humana.  

     Este processo seria uma espécie de segundo nascimento da personalidade, uma fase muito singular, a resposta a pergunta: que propósito ou necessidade humana eu sou capaz de realizar e me lançar de forma consciente neste objetivo?

                                                      Edvard Munch, "O Grito"


     Depois deste ciclo vem o que o autor chama “ Hemicídio Minguante’, DOS 35 AOS 42 ANOS, para Rudhay seria simplesmente uma fase do indivíduo continuar a sua busca de seu lugar ao mundo, dotado de livre arbítrio e autosuficiente. Nesta fase, se o indivíduo não buscou se transformar, ele sente que sua vida está andando para trás, aparenta que está revivendo oportunidades pessoais passadas. Aqui, os velhos bodes expiatórios não servem mais, segundo Ruperti, 1988, a pessoa busca outros bodes expiatórios para projetar, quando se mantem no mecanismo de defesa.

      Para concluir este texto, dividido em duas partes, peço humildemente uma reflexão do leitor. Desta forma, aproveitando a “vibe” de Júpiter, o planeta da fé, da expansão o qual por oposição, nos mostra os limites, está no signo de Virgem cuja algumas características são detalhe, semente, terra, simplicidade, humildade, esta qualidade, principalmente). Uma pergunta que parece simples, ou humilde e vem do mundo, pode promover expansão (Júpiter, o impulso de crescimento e iluminação da psique) . Então lhe pergunto, você já saiu do útero materno e assumiu responsabilidade por sua vida?

   

A volta do Recanto de Netuno